Jorge Luis Borges

No livro Borges: o mesmo e o outro, lançado em 2001, o poeta e jornalista Álvaro Alves de Faria narra sua visita ao grande escritor argentino Jorge Luis Borges, em 1976. Um dos únicos brasileiros a entrevistar o escritor, Álvaro, com frases curtas e precisas, descreve como foi esse encontro.

Em seu apartamento escuro de Buenos Aires, Jorge Luis Borges, cego, já com 77 anos, é mostrado como um homem amargurado, sozinho — sua mãe havia morrido a pouco tempo, com quase cem anos de idade –, e que por vezes, dispara frases fortes, pessimistas e até racistas.

Um Borges que critica Perón, Neruda e apoia os militares na Argentina. Um Borges que já não acredita mais em nada. Ateu, não acredita em democracia, na política e em políticos, não acredita em escritores, no Nobel, não acredita no passado, em jornais…

Borges, o mesmo e o outro

Mas um Borges que diz acreditar na figura do poeta. Da necessidade de valorizar a poesia. E, como que deixando de lado todo o pessimismo que vinha mostrando, diz que “o homem precisa ser feliz. Infelicidade é coisa para os moços, que gostam de ser infelizes, gostam de estar mergulhados nas coisas melancólicas. A grande angústia, é que a vida só é plenamente descoberta quando não há mais tempo para viver”.

Desprezo os escritores latino-americanos. Eles não existem. Não existe nada na América Latina. O continente inteiro é um romance mal escrito”.

Apesar de tudo, das declarações, Álvaro não nos mostra um Jorge Luis Borges arrogante. Talvez, apenas um velho escritor, o maior de todos, já cansado, que viveu demais e que acredita que a morte é a grande esperança. A esplêndida esperança de que tudo acabe definitivamente.

  • Faria, Álvaro Alves de. Borges, o mesmo e o outro. São Paulo: Escrituras Editora, 2001.

Borges: O homem dos olhos mortos

Quando estávamos escrevendo este artigo, descobrimos o curta Borges: O Homem dos olhos mortos, de Nivaldo Lopes, que tenta reproduzir o encontro descrito no livro. O filme é, inclusive, narrado por Álvaro.

A produção não é das melhores, ficando muito aquém do livro. Mas vale pelos depoimentos do autor.

Na internet:




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