casa DarosCasa Daros abre suas portas no Rio de Janeiro. – Foto Tânia Rego/ABr

Por Flávia Villela (Agencia Brasil)

Morte, violência e perturbação. Elementos presentes em um recorte da sociedade colombiana, consumida durante décadas pelo narcotráfico e pela guerra (quase) civil, que pode ser conhecido a partir do dia 23 na exposição Cantos, Cuentos Colombianos, no mais novo espaço cultura da cidade do Rio de Janeiro, a Casa Daros, em Botafogo, zona sul.

A exposição, que já foi exposta em Zurique, na Suíça, em 2004, reúne obras de dez artistas colombianos com temas fortes e conteúdo político, como o caixão feito com peças de Lego e as cores da bandeira da Colômbia, do artista Fernando Arias, e as esculturas em cerâmica e pedra do Mickey e do Bart Simpson ao estilo pré-colombiano, do artista Nadín Ospina.

Para o curador da exposição Hans-Michael Herzog, o Brasil não conhece a arte contemporânea colombiana, embora sejam vizinhos e tenham muitas realidades comuns. “Esse exposição abre uma janela antes completamente fechada. Queremos entrar nesse diálogo interamericano, abrir os olhos para outras atividades que teremos no futuro”, explicou o curador que anunciou que, ao longo deste ano, os artistas da exposição participarão de workshops, oficinas e outras atividades dentro da Casa Daros.

María Fernanda Cardoso - Sol NegroSol Negro, de María Fernanda Cardoso – Foto Tânia Rego/ABr

Com proposta mais poética e metafórica, a obra de Juan Manuel Echavarría Bocas de Ceniza mostra em vídeo relatos cantados, à capela, por testemunhas de massacres ocorridos em diferentes partes da Colômbia por forças paramilitares ou da guerrilha. As expressões dos rostos são propositalmente expostas em primeiro plano no vídeo. Echavarría, que veio ao Brasil para a abertura da exposição, explicou que o vídeo pretende dar perenidade às vozes dos sobreviventes da violência de seu país.

“Se esses cantores não tivessem sido gravados, suas histórias teriam sido levadas ao vento, porque esses cantos não estão escritos. E me interessava que esses cantos ficassem na memória”, contou ele.

A questão da memória, de registrar uma parte da história, por mais brutal que seja, parece percorrer todas as obras de Cantos, Cuentos Colombianos. Segundo Echavarria, isso ocorre para que o mundo a conheça e as gerações futuras não a esqueçam, e, principalmente, não a reproduzam nem na Colômbia nem em lugar nenhum do planeta.

A exposição vai até o dia 18 de setembro. Até o dia 14 de abril, a entrada é gratuita. Depois o ingresso custará R$ 12, sendo que para idosos e estudantes, R$ 6. Crianças menores de 12 anos não pagam. O endereço da Casa Daros é General Severiano 159, Botafogo.

Texto originalmente publicado na Agência Brasil, cedida sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil.

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