
Ontem foi meu último dia em Córdoba e acho que escolhi uma data meio ruim para sair da cidade: o dia do jogo de futebol Argentina vs Brasil, pelas Eliminatórias para Copa do mundo. E meu destino era ainda pior: Rosário, local onde aconteceu o jogo.
Mesmo sendo um dos poucos brasileiros que vestiram a camisa da Argentina, literalmente, passei todo o dia pensando em como seria minha chegada em Rosário se o Brasil vencesse o jogo.
Poucas horas após o jogo, que o Brasil venceu e deixou milhões de Argentinos frustrados, peguei um táxi para a rodoviária. O taxista de cara me perguntou de onde eu era e eu, meio envergonhado, disse que era brasileiro. Ele deu risada e fomos conversando sobre futebol durante o caminho. Na hora de pagar dei uma nota de 20 pesos. Ele me devolveu a nota dizendo que era falsa e que não poderia aceitar. Fiquei preocupado pensando aonde haviam me dado aquela nota e dei outra nota de 20 para o taxista. Mais uma vez o cara me devolveu dizendo que também era falsa, e que eu tinha que tomar cuidado porque havia muita falsificação na Argentina. Eu meio sem escutar fui juntando todos os trocados, com moedas e tudo para consegui pagar o táxi.
Já na rodoviária, esperando o ônibus, continuava pensando aonde tinha conseguido aquelas notas falsas, desconfiando de todos: seria o bar da esquina ou aquela estadunidense que perguntou se eu tinha troco para 20? Ah, no hostel me deram uma nota de 20 também!
Depois de algum tempo, fui olhar com calma as notas que o motorista havia me devolvido. Eram cópias vagabundas de cédulas de 20 pesos, que na correria e na escuridão, não pude perceber. Ou seja, o desgraçado que havia me dado as notas era o próprio taxista, que trocou as originais sem que eu percebesse.
Já tinha lido em alguns lugares que taxistas de Buenos Aires que ao receberem uma nota de 100 pesos, por exemplo, pegam a nota e trocam rapidamente por uma nota falsa, devolvendo ao passageiro dizendo que não tem troco e, dessa forma, embolsam os 100 pesos dos turistas desavisados. Mas nunca imaginei que aconteceria isso comigo em Córdoba. Me preocupei tanto com Rosário que acabei me esquecendo de Córdoba.
Após a terrível derrota da equipe da Argentina, ao menos um argentino ontem foi vingado: o maldito taxista que me levou 40 pesos.