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Eduardo Galeano 23 março 2010 as 20:25 de Rodrigo Souza

Encontrei a poucos dias, na internet, uma entrevista com o escritor uruguaio Eduardo Galeano feito pela TV Cultura durante a Fliporto, festa literária de Porto de Galinhas, em Pernambuco.

Com um bom português, o escritor fala de algumas obras, além, é claro, do clássico As Veias Abertas da América Latina, que é tido por muitos como leitura obrigatória para entender melhor nosso sub-continente.

Um dos grandes pensadores latino-americanos, Galeano sabe contar histórias como poucos, sejam elas fictícias, políticas ou relacionadas a sua paixão pelo futebol. Vale a pena explorar seus inúmeros vídeos na internet, principalmente os do canal Encuentro, da TV Argentina.

Para os que querem consultar seus livros, deixo abaixo alguns links onde eles poderão ser baixados, lembrando que o blog não tem nenhuma vínculo com os mesmos e nao se responsabiliza por seus conteúdos. Para quem quiser comprar (sempre a melhor opção), posso dizer que na feira de San Telmo, em Buenos Aires, se pode conseguir alguns deles por ótimos preços, muito mais baratos que os praticados no Brasil.

Download:
El libro de los abrazos (ESP)
Las venas abiertas de la América Latina (ESP)
As veias abertas da América Latina (POR)
O livro dos abraços (POR)
Patas Arriba: La escuela del mundo al revés (ESP)
El fútbol a sol y sombra (ESP)

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+ Mudança de identidade Por Rodrigo Souza 25 novembro 2009 as 21:52 2 comentários

documentos

Há poucos dias li uma matéria na revista Cult em que o jornalista Francisco Bosco analisava o caso recente do cantor Belchior[bb] fazendo uma analogia com o filme Profissão: Reporter, de Antonioni[bb]. Uma excelente matéria, mas que levou a quase todos os leitores, que comentaram o texto, falarem dos abusos da imprensa, da falta de privacidade e etc, esquecendo, ao meu ver, o principal, que é a questão da identidade.

Como a matéria começa falando do filme, de uma pessoa que se passa por outra, tentando mudar de identidade, deixando a velha para trás, me fez lembrar muito do filme brasileiro A Concepção, onde um grupo de jovens resolvem queimar suas identidades, jogar tudo para o alto e, assim, assumir uma nova personalidade, não definitiva, mas uma nova a cada dia.

Como alguém pode estar tão descontente com sua vida a ponto de querer trocar de identidade? Ser uma nova pessoa, sem o peso dos traumas e erros do passado, sem as obrigações e responsabilidades que sua vida foi tomando? É, não é difícil imaginar que alguém queira isso.

E, por acaso, foi lendo um livro de contos argentinos, essa semana, que me deparo de novo com essa história: a de um argentino que vivia em Nova Iorque e que, após a queda das Torres Gêmeas, é dado como morto, como um dos inúmeros corpos que não foram encontrados ou identificados. O personagem se aproveita desse fato e resolve matar realmente seu antiga identidade, assumindo um novo nome, uma nova profissão e até mesmo uma outra nacionalidade.

Bom, nenhuma dessas histórias acabou bem. Mas que muitas vezes dá vontade de fazer algo parecido, ah, isso dá.

Fontes:
- Revista Cult: Big Brother Belchior.

- A Concepção (2005). Director: José Eduardo Belmonte

- Professione: reporter (1975). Director: Michelangelo Antonioni.

- Los días que vivimos en peligro (Emecé, 2009).

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+ El Túnel Por Rodrigo Souza 05 novembro 2009 as 0:40 Nenhum comentário

tunel2

Há pouco tempo, na viagem, li um livro de Ernesto Sábato: El Túnel. Pensei em escrever um post sobre o livro, mas não sei bem porque, acabei não escrevendo.

Agora, depois de pouco mais de um mês, conheci um argentino, de Rosário, que é ator e que ia apresentar uma peça justamente desse mesmo livro. Eu que já havia gostado bastante da história, não perdi a oportunidade quando fui convidado a assistir a peça.

Como esse livro é leitura quase obrigatória nas escolas, esse espetáculo era só para estudantes de uma escola próxima, na faixa de 15, 16 anos. O que me fez lembrar muito do escritor brasileiro Machado de Assis e da obra Dom Casmurro, que também é, ou ao menos era, sempre assunto de escola e vestibular.

E as lembranças não acabam por aí. El Túnel conta a história de um pintor, Castel, que a exemplo de Bentinho, pensa demais. Tanto, ao ponto de já não sabermos mais se aquilo faz algum sentido ou são puros delírios. A grande diferença é que Castel acaba matando seu grande amor e Bentinho não chega a tanto. Ah, não, não contei o final da história, pois na primeira página do livro já sabemos do crime.

El Túnel, de 1948, que é tida por muitos como uma novela psicológica e existencialista, também foi muito elogiada por Albert Camus, entre outros.

Para os que já conhecem Dom Casmurro é uma bom momento para relembrar, comparar ou simplesmente ler, como uma boa história de um grande escritor argentino. Para os que não conhecem, é uma boa maneira de se chegar até a obra.

Foto: phill.d

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+ ¡Pobre Patria mía! Por Rodrigo Souza 04 setembro 2009 as 21:30 Nenhum comentário

Afim de conhecer um pouco mais a Argentina, comprei um livro chamado ‘¡Pobre Patri Mia!’, de Marcos Aguinis[bb], que fala um pouco sobre a política argentina[bb].

O livro, como o autor mesmo diz, “não é um livro. É um grito rebelde, um chamado de atenção”. E é como um grito que Aguinis leva esse seu ‘panfleto’, cheio de paixão e ironia: “Fuimos ricos, cultos, educados y decentes. En unas cuantas décadas nos convertimos en pobres, mal educados y corruptos. ¡Geniales!

Aguinis trata um pouco de educação, da estatização do dinheiro do povo argentino e, sobretudo, do casal Kirchner, onde faz suas mais severas críticas.

Eu já havia notado, conversando com algumas pessoas sobre o trabalho na argentina, que muitos trabalham ‘en negro’, ou seja, sem carteira assinada, o famoso ‘por fora’ que estamos acostumados no Brasil. E Aguinis não poderia deixar isso de fora: “En la Argentina se cobra en negro, se vende en negro, se traen e sacan capitales en negro. Somos un país que ha conpensado la casi inexistencia de negros con la economía epilepticamente negra. ¡Qué superdotados!

Apesar de ser um livro que vale a pena ser lido, não devemos parar por aí. Penso que para formar uma opinião mais clara, outros autores e, consequentemente, outras visões são necessárias.

Portando, é uma visão, apoiada por muitos (não todos), sobre o antigo governo de Nestor e, o atual, de Cristina Kirchner. Fala sobre pobreza, corrupção, subornos, favores, alianças… e tudo mais que nos faz pensar muito em um grande país vizinho que conhecemos bem. ¡Pobre Patria mía!

AGUINIS, Marcos. ¡Pobre Patria mia! 9. ed. Buenos Aires: Sudamericana, 2009.

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+ De moto pela América do Sul Por Rodrigo Souza 27 fevereiro 2009 as 14:24 Nenhum comentário

diario_che

Já citei alguns livros aqui no blog, mas estava faltando, por um terrível esquecimento, de comentar sobre um que, de certa forma, inspirou todo esse projeto.

Em 2004, o diretor brasileiro Walter Salles, fez uma versão do diário de Ernesto ‘Che’ Chevara, em que narra a viagem que fez por alguns países da América do Sul em uma motocicleta, junto com seu amigo Alberto Granado, em 1952.

Como vi o filme antes de ler o livro, esperava ao ler, muito mais coisas do filme no livro. Mas não, embora a pesquisa para o filme tenha sido mais ampla, o principal do diário de Che foi mantido: a mudança que a viagem proporcionou.

O descobrimento da América pelos dois amigos simplesmente seduz.

Seduz pela aventura, pelo bom humor, pelos caminhos e, acima de tudo, seduz pelo respeito e o desejo de conhecimento pelos diversos locais e povos por onde passaram.

No diário, o jovem Ernesto não parece tanto como o bom moço que o filme retrata e, de alguma maneira, nem seu amigo Granado parece tão cômico e malandro.

‘De moto pela América do Sul’ não só faz parte da biblioteca básica do Projeto Latinoamérica, mas é a obra fundamental.

“A pessoa que tomou estas notas morreu no dia em que pisou novamente o solo argentino. A pessoa que está agora reorganizando e polindo estas mesmas notas, eu, não sou mais eu, pelos menos não sou o mesmo que era antes. Esse vagar sem rumo pelos caminhos de nossa Maiúscula América me transformou mais do que me dei conta. (…) Agora, eu o deixo em companhia de mim, do homem que eu era…”

Guevara, Ernesto Che. De moto pela América do Sul — Diário de viagem. São Paulo: Sá, 2001.

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