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El Chaltén / Puerto Natales 19 novembro 2009 as 3:06 de Rodrigo Souza

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Como havia dito em outro post (El Calafate / El Chaltén), só existem três horários para regressar a El Calafate e é de lá que saem os ônibus a Puerto Natales, com o detalhe de ter apenas um ônibus por dia que faz esse trajeto e logo pela manhã, as 8h30. Ou seja, vindo de El Chaltén é obrigatório passar a noite em El Calafate para poder viajar no outro dia, cedo, para Puerto Natales.

Saí de El Chaltén no ônibus da 1h e que chega por volta das 4h30 em El Calafate. Organizei tudo que tinha na mochila e a noite fui conhecer o Cassino da cidade. Talvez por ter lido o livro O Jogador, de Dostoievski, sempre tive medo de pirar num cassino e jogar como um louco. Então fui com 10 pesos (cerca de 5 reais). Um jogador realmente amador e que não poderia gastar mais do que isso, pois não tinha. Resultado: 30 minutos depois já tinha 25 pesos e estava todo feliz pensando que era feito para aquilo, 150% de lucro em poucos minutos, uau! Mais 30 minutos se passaram e já não tinha mais nada. Voltei desanimado e fui dormir.

No outro dia, peguei o ônibus as 8h30 e que passa pela infeliz fronteira com o Chile, onde fica um bom tempo até que os passageiros peguem o visto e passem por uma desagradável revista para ver se não está entrando com nenhum alimento no país. Eu já sabia que a coisa era chata e resolvi deixar tudo o que tinha de comida em El Calafate, mas quando minha mochila passa pelo raio-x lembro que havia comprado duas maçãs em El Chaltén (que por sinal eram horríveis) e uma delas ainda estava em uma pequena mochila de ataque, que utilizo para as caminhadas.

Aí começou a choradeira. De um lado o guarda querendo me aplicar uma multa, que não é nada barata, e de outro eu dizendo que tinha esquecido, que não sabia da existência da maldita maça. O cara querendo que eu tirasse tudo da mochila e eu dizendo que só tinha roupa. Ele dizendo que se eu tinha uma maçã na mochila pequena bem que podia ter outras na mochila grande… Enfim, definitivamente o Chile estava marcando essa viagem da pior maneira e em poucos minutos no país eu já queria voltar a Argentina.

No final ele disse: Dessa vez passa, mas na próxima é multa! Eu agradeci, nervoso, enquanto pensava que essa próxima vez nunca chegaria, que nunca mais voltava aquele país. Se ele não mudasse de idéia e me aplicasse a multa, acho que essa hora estava preso ou já tinha sido extraditado, porque não ia pagar a multa por causa de uma maça.

Quando cheguei a Puerto Natales já estava mais calmo e minha revolta contra o Chile já tinha passado, pelo menos um pouco. No próximo dia eu iria a Torres del Paine e já acharia tudo lindo novamente, mas essa é outra história.

Custos (em pesos argentinos e chilenos):
El Calafate/Puerto Natales: $ 60,00 (Cootra)
Hospedagem: $ 5.000 (Niko’s Residencial)

Foto: stevemonty

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+ Hostels e os quartos coletivos: como (não) pagar mico Por Rodrigo Souza 24 junho 2009 as 2:55 3 comentários

lanterna

Li certa vez que é de bom tom, em albergues, ter sempre uma lanterna em mãos, para o caso de chegar tarde e as outras pessoas estiverem dormindo, não incomodar ninguém. Achei um certo exagero e quando vi alguém usando esse artifício pela primeira vez, até achei engraçado.

Pois bem, chegou minha vez de chegar mais tarde que os outros, num quarto totalmente escuro. Primeiro fui mal educado e acendi as luzes para chegar até minha mochila e pegar minha escova de dentes. Apaguei a luz, fui ao banheiro escovar os dentes e pensei em como seria minha volta. Arquitetei uma rápida estratégia para chegar até a cama e fui.

Fui tateando uma parede e caminhando bem devagar e com o máximo silêncio possível. O que não contava, é que muitos hospedes não guardam todos seus pertences nos lockers (armário com essa finalidade), deixando coisas pelo chão. Não preciso dizer que devo ter acordado as outras cinco pessoas com o tombo que levei e um “ai” que saiu sem querer. Depois disso, resta dizer um sorry (baixinho), deitar e tentar dormir. Mesmo que um pouco dolorido.

O pior de tudo é que eu tinha uma pequena lanterna em algum canto da mochila. Na noite seguinte foi uma maravilha, só faltou eu ir pulando.

E se aquela inglesa, da cama da frente, um dia ler isso: Eu ouvi você dando risada, viu?

Foto: Sxc

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