
Como havia dito em outro post (El Calafate / El Chaltén), só existem três horários para regressar a El Calafate e é de lá que saem os ônibus a Puerto Natales, com o detalhe de ter apenas um ônibus por dia que faz esse trajeto e logo pela manhã, as 8h30. Ou seja, vindo de El Chaltén é obrigatório passar a noite em El Calafate para poder viajar no outro dia, cedo, para Puerto Natales.
Saí de El Chaltén no ônibus da 1h e que chega por volta das 4h30 em El Calafate. Organizei tudo que tinha na mochila e a noite fui conhecer o Cassino da cidade. Talvez por ter lido o livro O Jogador, de Dostoievski, sempre tive medo de pirar num cassino e jogar como um louco. Então fui com 10 pesos (cerca de 5 reais). Um jogador realmente amador e que não poderia gastar mais do que isso, pois não tinha. Resultado: 30 minutos depois já tinha 25 pesos e estava todo feliz pensando que era feito para aquilo, 150% de lucro em poucos minutos, uau! Mais 30 minutos se passaram e já não tinha mais nada. Voltei desanimado e fui dormir.
No outro dia, peguei o ônibus as 8h30 e que passa pela infeliz fronteira com o Chile, onde fica um bom tempo até que os passageiros peguem o visto e passem por uma desagradável revista para ver se não está entrando com nenhum alimento no país. Eu já sabia que a coisa era chata e resolvi deixar tudo o que tinha de comida em El Calafate, mas quando minha mochila passa pelo raio-x lembro que havia comprado duas maçãs em El Chaltén (que por sinal eram horríveis) e uma delas ainda estava em uma pequena mochila de ataque, que utilizo para as caminhadas.
Aí começou a choradeira. De um lado o guarda querendo me aplicar uma multa, que não é nada barata, e de outro eu dizendo que tinha esquecido, que não sabia da existência da maldita maça. O cara querendo que eu tirasse tudo da mochila e eu dizendo que só tinha roupa. Ele dizendo que se eu tinha uma maçã na mochila pequena bem que podia ter outras na mochila grande… Enfim, definitivamente o Chile estava marcando essa viagem da pior maneira e em poucos minutos no país eu já queria voltar a Argentina.
No final ele disse: Dessa vez passa, mas na próxima é multa! Eu agradeci, nervoso, enquanto pensava que essa próxima vez nunca chegaria, que nunca mais voltava aquele país. Se ele não mudasse de idéia e me aplicasse a multa, acho que essa hora estava preso ou já tinha sido extraditado, porque não ia pagar a multa por causa de uma maça.
Quando cheguei a Puerto Natales já estava mais calmo e minha revolta contra o Chile já tinha passado, pelo menos um pouco. No próximo dia eu iria a Torres del Paine e já acharia tudo lindo novamente, mas essa é outra história.
Custos (em pesos argentinos e chilenos):
El Calafate/Puerto Natales: $ 60,00 (Cootra)
Hospedagem: $ 5.000 (Niko’s Residencial)
Foto: stevemonty

