Ano sabático

Hopper e a zona de conforto

Há alguns dias me fizeram uma pergunta sobre o tal ano sabático: – Mas porque vocês fazem isso, viajar tanto tempo?

Eu, sem querer me alongar na resposta, apenas disse que ela (a viagem) vinha quando a gente estava começando a enlouquecer.

É claro que não é bem assim, as pessoas fazem isso por inúmeros motivos, e não posso falar por todos. Sabático ou não, não importa o termo, uma viagem longa pode ser muito útil para por a cabeça em ordem, descansar, refletir ou rever alguns aspectos da vida. Aliás, a palavra vem justamente de descanso.

Penso que nossa própria casa, o trabalho, nossas zonas de conforto, como diz Bachelard, podem nos dar razões ou ilusões de estabilidade (“A casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa permite sonhar em paz”). Mas se compararmos essa afirmação com um quadro de Hopper, por exemplo, vemos que a casa não só protege, mas também aprisiona, angustia, dando outras razões para a necessidade de um ano sabático: ver o mundo lá fora, sair do ninho, se libertar.

Hopper e a zona de conforto3 obras de Edward Hopper

Os motivos podem ser inúmeros para esse período e, diferente do que normalmente é citado, não se aplica somente a executivos bem sucedidos e estressados. A prática não é, e não deve ser, tão elitista. Pode-se dar a volta ao mundo de avião ou viajar de ônibus e mochila pela América Latina por alguns meses.

Existem mil maneiras de preparar um ano sabático. Invente a sua!


Por Rodrigo Souza

Editor e idealizador do Projeto Latinoamérica. Google+

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